De HQs a documentários: investigando histórias que continuam no próximo episódio

Conheça Marcelo Lima, pesquisador, roteirista e tutor na Usina 20

Por Enoe Lopes Pontes

Desde os anos 1990, quando ainda era criança, Marcelo criou a tradição de visitar bancas de revistas, com o intuito de adquirir as histórias em quadrinhos que tanto amava. Sua relação com as narrativas seriadas foi uma crescente em sua vida. No consumo, era apaixonado pelo anime Cavaleiros do Zodíaco e, posteriormente, pela série Lost (ABC, 2004-2010). Já na fase adulta, passou a enxergar o campo como um local de trabalho, entrando no mercado de criação de gibis e de seriados.

Além disso, Marcelo descobriu, a partir de sua graduação, que poderia adentrar no campo científico, investigando temas e produtos que tanto apreciava. Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo PósCom/UFBA, o roteirista atualmente segue a carreira de professor e pesquisador, dando continuidade aos estudos conduzidos em seu doutoramento. Em sua carreira como contador de histórias, o currículo é longo! Entre suas principais produções como autor estão Formula Dreams (Série Documental, 2019), Auts (Animação, 2020) e Os Afrofuturistas (Animação e HQ, 2021).

Marcelo Lima concedeu uma entrevista para a equipe da Usina do Drama e contou um pouco sobre seus projetos e processos criativos, bem como os seus pensamentos sobre roteiro e o audiovisual na Bahia.

É preciso aprimorar o que é produzido na Bahia pensando em criar não apenas narrativas subjetivamente ricas, mas também produtos com alto valor de entretenimento e potencial de negócio.

ENTREVISTA

ENOE LOPES PONTES – Me conta um pouco sobre sua relação com o audiovisual e com as narrativas seriadas!

MARCELO LIMA – Sempre preferi narrativas seriadas a obras unitárias. Desde criança consumo muita narrativa seriada em forma de HQs e desenhos animados. O ritual de visitar bancas de revistas atrás dos gibis favoritos e a espera ansiosa pelo novo episódio de Cavaleiros do Zodíaco marcaram muito minha infância e adolescência. Me atentei para as séries live-action somente a partir de Lost, que virou uma pequena obsessão durante certo tempo.

ELP – Observando seus trabalhos dá para notar que você tem uma relação com animações e HQs. Fale mais sobre isso.

ML – A minha formação de imaginário e consumidor de ficção nasceu atrelada ao lado nerd/geek do entretenimento. Nunca fui muito de cinema autoral vanguardista, sempre gostei de cultura pop, e cartoons e HQs foram algumas das minhas principais fontes de atenção. Amo narrativas que versam com um imaginário muito fértil sem perder a mão de entreter e contar uma história emocionante, então, naturalmente esse tipo de conteúdo é familiar para mim.

ELP – Como foi sua trajetória de inserção como roteirista no mercado audiovisual e de séries de TV? 

ML – Esta trajetória tem sido lenta, mas vigorosa, o que me parece ser o ‘normal’ desse ofício.  Muito antes do audiovisual eu já fazia HQs e estudava roteiro desde 2007. Meus trabalhos para HQs chamaram atenção de produtoras de desenhos animados, por eu já ter facilidade de escrever criando imagens narrativas que prezam mais pelo mostrar mais do que pelo contar os fatos da história. O engraçado é que eu sempre fiz HQs para público adulto, então entrei na Animação sem saber como escrever para crianças e todos os produtos que participei eram voltados para este público. Por sorte, contei com ótimos e generosos mestres. Após mais de uma década roteirizando HQs e animações, atualmente também estou envolvido no desenvolvimento de séries de live-action  para o público jovem-adulto e em fase de negociação para venda e participação em salas de roteiro das principais plataformas de streaming atuantes no Brasil. Espero poder divulgar em breve.

ELP – E na área acadêmica, como foi esta inserção? 

ML – A área acadêmica me atraiu ainda na Graduação por conta da possibilidade de pesquisar os produtos de mídia que eu tanto amava com um olhar analítico que eu sabia que também beneficiaria meu fazer roteirista. Sou muito grato às orientadoras que acolheram meus projetos, Itania Gomes na Graduação e Maria Carmen no Mestrado/Doutorado, cujos resultados finais de pesquisa me orgulham. Na área acadêmica minha participação está mais vinculada, atualmente, como professor, função que gosto muito de desempenhar. 

ELP – Qual a sua visão sobre o audiovisual baiano? 

ML – O audiovisual baiano tem um potencial muito grande para crescer porque há muitos roteiristas, diretores e produtores jovens se destacando. Penso que vivemos um momento em que saber fazer do audiovisual um negócio é essencial para manutenção de carreiras, haja vista que as políticas públicas que financiam iniciativas mais autorais e para um público menor estão fragilizadas. Nesse sentido, acho que o audiovisual baiano vai se beneficiar ao criar ainda mais laços com o mercado, com os executivos de plataformas de streaming e canais, com o investimento na qualificação, enfim… É preciso aprimorar o que é produzido na Bahia pensando em criar não apenas narrativas subjetivamente ricas, mas também produtos com alto valor de entretenimento e potencial de negócio.

ELP – Fazendo um balanço dos últimos 5 anos, o que você vê de pontos positivos e negativos dentro do mercado audiovisual da Bahia? 

ML – Nos pontos positivos, vejo muitos talentos surgindo, muita gente, especialmente os criadores negros, se articulando para trabalhar em colaboração. A existência de políticas públicas de financiamento direto em âmbito estadual e municipal (no caso de Salvador). Consolidação de eventos/ações como o NordesteLab, Usina do Drama, Panorama Coisa de Cinema etc. Já nos pontos negativos, acredito que ainda há necessidade de mais qualificação em todos os campos. Grande parte dos melhores profissionais baianos saem do estado. Os roteiristas ainda têm dificuldades em produzir seus projetos, pois muitas produtoras já possuem uma cartela de obras a serem realizadas. E, ainda, a distância geográfica do centro cultural e econômico do país impõem barreiras para que os profissionais baianos despontem.

ELP – Quando e como você entrou no projeto da Usina do Drama? 

ML – Estava na origem do projeto, o que foi em 2016 (acredito). Inclusive fui um dos escritores/formuladores do projeto que foi aprovado pela SecultBA e aqui estamos. Eu já fazia parte do grupo A-Tevê (grupo de pesquisa vinculado ao Póscom/UFBA e dedicado a análise de teleficção e narrativas seriadas), mas ainda não tinha uma participação ativa na Estação (do Drama, projeto de Extensão vinculado ao A-Tevê). A abertura do Edital de Formação da SecultBA me envolveu no processo, pois tinha ideias para esse formato de lab e experiência com escrita de projetos culturais. Fico feliz de ter somado aos colegas no nascimento desse projeto.

ELP – Quais elementos e acontecimentos você destacaria desta vivência como professor da Usina?

ML – Destacaria o contato com os alunos. Conheci muita gente massa. Tive/tenho oportunidade de trabalhar com vários ex-alunos até hoje, inclusive um deles atualmente é meu sócio de empresa (risos). Gosto da ideia de, quando possível, auxiliar bons roteiristas a acessar o mercado, seja indicando ou contratando, especialmente quando ainda não possuem experiência. Sobre acontecimentos, eu amo pitchings finais, então destaco esse evento e já aguardo o dessa edição.

ELP – Quando você está ensinando e em tutoria, você traz dicas para a escrita de um bom roteiro? Se sim, quais seriam as fundamentais?

ML – Claro! Aliás, eu amo dicas e macetes tanto quanto gosto de conceituações mais profundas. Sobre o roteiro, o que recomendo é gastar muito tempo na estruturação da história, pois é muito fácil se perder quando você não sabe, com clareza, qual o conflito central da obra, o tom que se deseja evocar e os eventos-chave da narrativa. Parece fácil contar uma história, mas com frequência investimos numa ideia sem deixar a motivação do protagonista evidente ou, em alguns casos, sem ter certeza de quem é o protagonista. Não adianta ir para o roteiro sem antes fazer um mergulho nessas questões de base. 

ELP – Quando você está avaliando um projeto ou um argumento, quais são as primeiras coisas que você observa?

ML – Se há uma história com eventos bem encadeados. Se há um protagonista, ou grupo de protagonistas, com objetivos dramáticos compreensíveis e com potencial para gerar ancoragem com o público. E gosto de ir aos detalhes, ver se as partes da história conversam entre si, se há furos de roteiro, premissas complicadas demais e por aí vai. Oriento muito os alunos no caminho de descomplicar/simplificar as narrativas, sem que com isso também se incorra em didatismos. Fato é que a atenção da audiência é um recurso raro nos dias de hoje, então fisgá-la com histórias que tenham conflitos dramáticos facilmente compreensíveis é vital.

ELP – Por fim, conta o que você pensa sobre o projeto Usina do Drama! Você acredita que ele pode interferir de quais formas na carreira de roteiristas e futuros roteiristas?

ML – Considero a Usina do Drama mais que um projeto de formação de roteiristas, dado que é uma iniciativa que também aguça conhecimentos teóricos que agregam na Direção, Produção, e outros ofícios do audiovisual. Assim, é um projeto essencial para desenvolvimento de carreiras e de reflexão teórico-prática desse campo, sobretudo na Bahia, e que tem auxiliado bons projetos a se concretizarem mais rápido e com mais qualidade.

Luz, câmera, paixão.

Conheça Sofia Federico, cineasta e roteirista pra quem a arte de contar histórias sempre esteve relacionada à aprendizagem

Por Enoe Lopes Pontes

Sofia Federico é um nome conhecido no cinema baiano e nacional. Com uma carreira consolidada no audiovisual, a cineasta e roteirista dirigiu filmes como Caçadores de Saci e Vermelho Rubro do Céu da Boca. Em 2003, chegou a receber uma indicação da Academia Brasileira de Cinema, por Cega Seca. Recentemente, comandou a série de TV infanto-juvenil Francisco Só que Jogar Bola, transmitida pela TVE. Formada em Comunicação, pela UFBA, Sofia explica que a sua entrada na área aconteceu de maneira bastante espontânea. Iniciando sua jornada ora como jornalista, ora como assessora de imprensa, paralelamente trabalhava em curtas-metragens de amigos.

A cineasta também conta que a sua paixão pelo cinema começou desde cedo. Na sua infância e adolescência, Sofia gostava de envolver filmagens em trabalhos da escola — reunia os amigos e realizava diversas gravações. Para ela, esta foi uma espécie de porta de entrada para este universo. Dentro de sua trajetória, experimentou linguagens em seu campo de atuação, desenvolvendo projetos cinematográficos e de narrativas seriadas, mas também se inseriu na seara mais administrativa, fazendo parte da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV) e da diretoria do Departamento de Imagem e Som da Bahia (DIMAS/FUNCEB).

Atualmente, Sofia é uma das sócias da produtora Benditas Projetos Criativos, e cursa mestrado no Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA) e integrou a turma da Usina 20! Este mês, a diretora concedeu uma entrevista para a nossa equipe e falou um pouco sobre a relação que possui com seu ofício, seu processo criativo, os desafios da área, sua participação na Usina e muito mais!

Foto: Marcos Povoas

Saber escrever bem não é suficiente. Tem que entender de narrativa, conhecer fundamentos de dramaturgia, adquirir conhecimento sobre linguagem audiovisual, enfim, é preciso estudar muito e ampliar repertório.

ENTREVISTA           

ENOE LOPES PONTES – Como aconteceu a sua entrada na área do audiovisual?

SOFIA FEDERICO – Desde a escola, ainda adolescente, eu sempre me interessei por essa linguagem e por essa forma de expressão. Cheguei a realizar atividades escolares em vídeo, em trabalhos de grupo. Isso foi no final da década de 1980, quando o VHS começou a se popularizar. Um colega da sala tinha a câmera e o player que também gravava. Olhando para o passado, acho que já era uma experimentação e uma “porta de entrada” para esse universo. Eu me divertia horrores!

ELP Quando você está desenvolvendo seus projetos, como funciona o seu processo de criação? 

SF – Depende do projeto e do processo de criação da obra. Em geral, começa com uma imagem, mas o disparador pode ser uma notícia que li no jornal. Se estou escrevendo sozinha, o processo é extremamente introspectivo, fica tudo girando na cabeça; não escrevo nada enquanto não tiver uma rota mínima traçada. Por exemplo: às vezes eu tenho a personagem, mas a motivação não está clara. Outras vezes, eu tenho a motivação, mas a personagem não convence. Então, enquanto não tenho essas definições mínimas, eu não costumo sentar para escrever, mas fico o tempo inteiro pensando naquilo. Quando estou escrevendo com outras pessoas, o processo precisa ser compartilhado o tempo todo com quem está envolvido, senão não funciona. E aí nessa roda de criação, você tem que apresentar, por exemplo, ideias que ainda não estão maturadas o suficiente. Mas você necessita trazer à tona, porque a proposta é de construção coletiva. Enfim, são processos muito distintos.

ELP – Me conta sobre seus principais trabalhos dentro da área!

SF – Eu acho importante citar o curta de ficção Cega Seca, de 2003. Foi o primeiro filme em que tive recurso público para produzir. O curta rodou muitos festivais, numa época em que ainda era necessário enviar as películas fílmicas por avião! Foi um aprendizado imenso. Cito também Francisco só quer jogar bola, de 2020, série de ficção com 13 episódios, de 26 minutos, voltada para o público infantil, produzida pela Docdoma Filmes. Foi um projeto dos mais desafiadores, porque a proposta era criar uma série protagonizada por crianças. A primeira missão foi desenvolver um seriado desse tamanho em três meses, um tempo muito curto. Os outros desafios foram ainda maiores, tendo sido o principal deles produzir um conteúdo com seis crianças em cena.

ELP – Quais características você elencaria como fundamentais para um bom roteirista?

SF – Creio ser muito importante a capacidade de escuta: saber se escutar, escutar a pessoa com quem você está trabalhando — seja ela quem for — e escutar o mundo, as questões que estão “no ar”. Além disso, eu acho fundamental que um bom roteirista domine a técnica do seu ofício. Saber escrever bem não é suficiente. Tem que entender de narrativa, conhecer fundamentos de dramaturgia, adquirir conhecimento sobre linguagem audiovisual, enfim, é preciso estudar muito e ampliar repertório.

ELP – Dentro dos seus anos de profissão, quais foram os principais desafios encontrados? Você teria alguma dica para quem está começando?

SF – Sempre são muitos os desafios, cada projeto apresenta um desafio distinto. Pra quem quer começar, eu sugiro que se coloque à disposição do mercado sem querer nada em troca, além de aprendizado e conhecimento. Busque uma produtora e se ofereça para trabalhar em algum projeto por um prazo determinado. É uma maneira de se inserir na área, conhecer as pessoas que já estão atuando no campo, saber como é feito o trabalho e formar uma rede de relações. Em paralelo, se dedique à criação do seu projeto. Nunca abra mão disso.

ELPComo você enxerga a sua atuação neste momento no mercado audiovisual baiano?

SF – ­­ Eu me vejo como profissional atuante no setor, trabalhando, sobretudo, nas áreas de criação e direção de conteúdos audiovisuais de ficção. Sou sócia da Benditas Projetos Criativos, empresa que vem executando desde 2014 diversos projetos formativos e de produção audiovisual. Atualmente, estamos realizando o Programa narrAtiVas, em parceria com o Estação do Drama, e o Programa de Formação Continuada em Game Design, em parceria com o Comunidades Virtuais. Estamos finalizando duas novas séries: a ficção Pequeno Tratado de Pequenas Coisas e a documental Todos os Sonhos.

ELPO que você tem a dizer sobre o mercado audiovisual baiano?

SF – Mercado ainda muito pequeno, mas bastante potente, com uma capacidade criativa e produtiva imensa. Vínhamos crescendo, muitas empresas novas foram formalizadas, sobretudo após a criação da Lei 12.485/11, a Lei da TV Paga*. A partir de 2019, começou um processo de desaceleração do crescimento, em todo país, impactado pela paralisação das políticas públicas que vinham sendo implementadas pelo Governo Federal, desde 2003. O momento atual é bastante grave e preocupante. A ANCINE virou uma grande incógnita; a principal fonte de recurso, que é o Fundo Setorial do Audiovisual, está com seu fluxo de financiamento interrompido, e o mercado global está em processo acelerado de mudança e reconfiguração. Pra gente conseguir acompanhar esse ritmo, só com política pública robusta e regular. O projeto do Governo Federal para o audiovisual brasileiro é claro e está em franco processo de execução: enfraquecer, estrangular, asfixiar e deixar morrer. Não conseguirão.

ELPComo você falou um pouco agora, o mercado apresentava características promissoras. Pensando nisso, me conta como enxerga as mudanças do mercado nos últimos cinco anos.

SF – Há cinco anos, estávamos vivendo o boom causado pela criação da Lei 12.485/11, que sem dúvida causou um incremento da produção audiovisual brasileira. Isso significa na prática que estávamos vivendo num contexto em que havia efetivamente demanda por conteúdo produzido por empresas brasileiras independentes. Havia uma profissionalização e a capacitação cada vez maior dos artistas, técnicos e gestores que atuam na área. A meu ver, isso se deve a um conjunto de fatores: aumento da oferta de cursos e eventos formativos; a proliferação de laboratórios e eventos de mercado, visando estreitar as relações entre os diversos agentes da cadeia produtiva do setor; e o incremento da produção, possibilitando o exercício prático da atividade, de forma regular. Vejo também um interesse cada vez maior do segmento distribuidor por diversificação dos formatos, ampliando possibilidades de criação para além do cinema e dos formatos tradicionais da TV. Contudo, existe o fator que abordei em minha fala anterior. Existe um desmonte das políticas públicas voltadas ao setor. Esse desmonte começou em 2018 e permanece.

ELP – Sobre a Usina do Drama, como você entrou no projeto?

SF – Em 2017, eu integrei uma mesa sobre mercado baiano e o lugar do roteirista na criação de séries. Me lembro que foi no contexto do lançamento do primeiro edital da Usina, o auditório da FACOM estava cheio! Eu adorei participar! Já estava acompanhando de longe as ações do Estação do Drama. Em 2020, fui convidada a integrar a comissão de pareceristas da Usina, avaliando um conjunto de pré-projetos inscritos. Foi muito interessante a experiência e uma boa oportunidade de conhecer propostas em início de gestação. É riquíssima a diversidade de temas, as formas de olhar e de abordar uma mesma questão, as motivações dos autores. Tem muita gente querendo se expressar e que aposta no formato seriado para isso. No ano passado, também participei de alguns dos cursos oferecidos pelo projeto e foram encontros de muito aprendizado.

ELP – Qual importância você vê no projeto?

SF Esse é um projeto altamente relevante de formação, focado no autor roteirista, mas que não fica restrito às questões, desafios e técnicas concernentes ao desenvolvimento do roteiro propriamente dito. A formação é mais ampla, porque também oferece ao participante um entendimento do mercado e sua cadeia produtiva, preparando o roteirista para ter uma visão da sua obra também como um ativo econômico, não somente como uma criação artística. Na Usina, o roteirista aprende, por exemplo, o quanto é necessário pensar em modelos de negócio e compreender como se dá a difusão de uma obra. Enfim, esses recursos são importantes para ajudar o autor a caminhar nesse mundo complexo e em permanente mutação, que é o segmento audiovisual. Estamos vendo resultados concretos, com projetos que passaram pela Usina se destacando em festivais e editais importantes. E alguns já saíram do papel e estão na tela, em exibição na TV, como a série documental Agbara Dudu – Narrativas Negras, de Silvana Moura.

ELP – Você acredita que fazer parte da Usina 20 afetou de alguma maneira o rumo de sua trajetória e/ou da forma como você pensa o audiovisual baiano e nacional?

SF – O projeto confirma para mim a importância da formação como base para se consolidar nessa área, que é altamente competitiva e que vem, cada vez mais, buscando pessoas qualificadas. A Usina cumpre um papel relevante dentro desse ecossistema. Ao participar como parecerista na edição de 2020, eu fiquei impressionada com a quantidade de histórias com vocação para ganhar as telas. Os pré-projetos que tive a oportunidade de ler demonstram que existem autores-roteiristas inventivos, com ideias incríveis a burilar, que estão ávidos para ingressar num mercado pelo qual são apaixonados. São pessoas que estão loucas pra aprender como fazer. O que a Usina do Drama diz é: venham!

*A Lei da TV Paga, em vigor desde setembro de 2011, consiste em colocar como obrigatória a exibição de, pelo menos, 3h30 de conteúdo brasileiro dentro da programação dos canais pagais do país, semanalmente.

Luz, câmera, paixão.

Conheça Sofia Federico, cineasta e roteirista pra quem a arte de contar histórias sempre esteve relacionada à aprendizagem

Por Enoe Lopes Pontes

Sofia Federico é um nome conhecido no cinema baiano e nacional. Com uma carreira consolidada no audiovisual, a cineasta e roteirista dirigiu filmes como Caçadores de Saci e Vermelho Rubro do Céu da Boca. Em 2003, chegou a receber uma indicação da Academia Brasileira de Cinema, por Cega Seca. Recentemente, comandou a série de TV infanto-juvenil Francisco Só que Jogar Bola, transmitida pela TVE. Formada em Comunicação, pela UFBA, Sofia explica que a sua entrada na área aconteceu de maneira bastante espontânea. Iniciando sua jornada ora como jornalista, ora como assessora de imprensa, paralelamente trabalhava em curtas-metragens de amigos.

A cineasta também conta que a sua paixão pelo cinema começou desde cedo. Na sua infância e adolescência, Sofia gostava de envolver filmagens em trabalhos da escola — reunia os amigos e realizava diversas gravações. Para ela, esta foi uma espécie de porta de entrada para este universo. Dentro de sua trajetória, experimentou linguagens em seu campo de atuação, desenvolvendo projetos cinematográficos e de narrativas seriadas, mas também se inseriu na seara mais administrativa, fazendo parte da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV) e da diretoria do Departamento de Imagem e Som da Bahia (DIMAS/FUNCEB).

Atualmente, Sofia é uma das sócias da produtora Benditas Processos Criativos, é cursa mestrado no Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA) e integrou a turma da Usina 20! Este mês, a diretora concedeu uma entrevista para a nossa equipe e falou um pouco sobre a relação que possui com seu ofício, seu processo criativo, os desafios da área, sua participação na Usina e muito mais!

ELP – Quais características você elencaria como fundamentais para um bom roteirista?

SF – Creio ser muito importante a capacidade de escuta: saber se escutar, escutar a pessoa com quem você está trabalhando – seja ela quem for – e escutar o mundo, as questões que estão “no ar”. Além disso, eu acho fundamental que um bom roteirista domine a técnica do seu ofício. Saber escrever bem não é suficiente. Tem que entender de narrativa, conhecer fundamentos de dramaturgia, adquirir conhecimento sobre linguagem audiovisual, enfim, é preciso estudar muito e ampliar repertório.

ELP – Dentro dos seus anos de profissão, quais foram os principais desafios encontrados? Você teria alguma dica para quem está começando?

SF – Sempre são muitos os desafios, cada projeto apresenta um desafio distinto. Pra quem quer começar, eu sugiro que se coloque à disposição do mercado sem querer nada em troca, além de aprendizado e conhecimento. Busque uma produtora e se ofereça para trabalhar em algum projeto por um prazo determinado. É uma maneira de se inserir na área, conhecer as pessoas que já estão atuando no campo, saber como é feito o trabalho e formar uma rede de relações. Em paralelo, se dedique à criação do seu projeto. Nunca abra mão disso.

ELP – Como você enxerga a sua atuação neste momento no mercado audiovisual baiano?

SF – Eu me vejo como profissional atuante no setor, trabalhando, sobretudo, nas áreas de criação e direção de conteúdos audiovisuais de ficção. Sou sócia da Benditas Projetos Criativos, empresa que vem executando desde 2014 diversos projetos formativos e de produção audiovisual. Atualmente, estamos realizando o Programa narrAtiVas, em parceria com o Estação do Drama, e o Programa de Formação Continuada em Game Design, em parceria com o Comunidades Virtuais. Estamos finalizando duas novas séries: a ficção Pequeno Tratado de Pequenas Coisas e a documental Todos os Sonhos.

ELP – O que você tem a dizer sobre o mercado audiovisual baiano?

SF – Mercado ainda muito pequeno, mas bastante potente, com uma capacidade criativa e produtiva imensa. Vínhamos crescendo, muitas empresas novas foram formalizadas, sobretudo após a criação da Lei 12.485/11, a Lei da TV Paga*. A partir de 2019, começou um processo de desaceleração do crescimento, em todo país, impactado pela paralisação das políticas públicas que vinham sendo implementadas pelo Governo Federal, desde 2003. O momento atual é bastante grave e preocupante. A ANCINE virou uma grande incógnita; a principal fonte de recurso, que é o Fundo Setorial do Audiovisual, está com seu fluxo de financiamento interrompido, e o mercado global está em processo acelerado de mudança e reconfiguração. Pra gente conseguir acompanhar esse ritmo, só com política pública robusta e regular. O projeto do Governo Federal para o audiovisual brasileiro é claro e está em franco processo de execução: enfraquecer, estrangular, asfixiar e deixar morrer. Não conseguirão.

ELP – Como você falou um pouco agora, o mercado apresentava características promissoras. Pensando nisso, me conta como enxerga as mudanças do mercado nos últimos cinco anos.

SF – Há cinco anos, estávamos vivendo o boom causado pela criação da Lei 12.485/11, que sem dúvida causou um incremento da produção audiovisual brasileira. Isso significa na prática que estávamos vivendo num contexto em que havia efetivamente demanda por conteúdo produzido por empresas brasileiras independentes. Havia uma profissionalização e a capacitação cada vez maior dos artistas, técnicos e gestores que atuam na área. A meu ver, isso se deve a um conjunto de fatores: aumento da oferta de cursos e eventos formativos; a proliferação de laboratórios e eventos de mercado, visando estreitar as relações entre os diversos agentes da cadeia produtiva do setor; e o incremento da produção, possibilitando o exercício prático da atividade, de forma regular. Vejo também um interesse cada vez maior do segmento distribuidor por diversificação dos formatos, ampliando possibilidades de criação para além do cinema e dos formatos tradicionais da TV. Contudo, existe o fator que abordei em minha fala anterior. Existe um desmonte das políticas públicas voltadas ao setor. Esse desmonte começou em 2018 e permanece.

ELP – Sobre a Usina do Drama, como você entrou no projeto?

SF – Em 2017, eu integrei uma mesa sobre mercado baiano e o lugar do roteirista na criação de séries. Me lembro que foi no contexto do lançamento do primeiro edital da Usina, o auditório da FACOM estava cheio! Eu adorei participar! Já estava acompanhando de longe as ações do Estação do Drama. Em 2020, fui convidada a integrar a comissão de pareceristas da Usina, avaliando um conjunto de pré-projetos inscritos. Foi muito interessante a experiência e uma boa oportunidade de conhecer propostas em início de gestação. É riquíssima a diversidade de temas, as formas de olhar e de abordar uma mesma questão, as motivações dos autores. Tem muita gente querendo se expressar e que aposta no formato seriado para isso. No ano passado, também participei de alguns dos cursos oferecidos pelo projeto e foram encontros de muito aprendizado.

ELP – Qual importância você vê no projeto?

SF – Esse é um projeto altamente relevante de formação, focado no autor roteirista, mas que não fica restrito às questões, desafios e técnicas concernentes ao desenvolvimento do roteiro propriamente dito. A formação é mais ampla, porque também oferece ao participante um entendimento do mercado e sua cadeia produtiva, preparando o roteirista para ter uma visão da sua obra também como um ativo econômico, não somente como uma criação artística. Na Usina, o roteirista aprende, por exemplo, o quanto é necessário pensar em modelos de negócio e compreender como se dá a difusão de uma obra. Enfim, esses recursos são importantes para ajudar o autor a caminhar nesse mundo complexo e em permanente mutação, que é o segmento audiovisual. Estamos vendo resultados concretos, com projetos que passaram pela Usina se destacando em festivais e editais importantes. E alguns já saíram do papel e estão na tela, em exibição na TV, como a série documental Agbara Dudu – Narrativas Negras, de Silvana Moura.

ELP – Você acredita que fazer parte da Usina 20 afetou de alguma maneira o rumo de sua trajetória e/ou da forma como você pensa o audiovisual baiano e nacional?

SF – O projeto confirma para mim a importância da formação como base para se consolidar nessa área, que é altamente competitiva e que vem, cada vez mais, buscando pessoas qualificadas. A Usina cumpre um papel relevante dentro desse ecossistema. Ao participar como parecerista na edição de 2020, eu fiquei impressionada com a quantidade de histórias com vocação para ganhar as telas. Os pré-projetos que tive a oportunidade de ler demonstram que existem autores-roteiristas inventivos, com ideias incríveis a burilar, que estão ávidos para ingressar num mercado pelo qual são apaixonados. São pessoas que estão loucas pra aprender como fazer. O que a Usina do Drama diz é: venham!

 

*A Lei da TV Paga, em vigor desde setembro de 2011, consiste em colocar como obrigatória a exibição de, pelo menos, 3h30 de conteúdo brasileiro dentro da programação dos canais pagais do país, semanalmente.

ELP – Me conta sobre seus principais trabalhos dentro da área!

SF – Eu acho importante citar o curta de ficção Cega Seca, de 2003. Foi o primeiro filme em que tive recurso público para produzir. O curta rodou muitos festivais, numa época em que ainda era necessário enviar as películas fílmicas por avião! Foi um aprendizado imenso. Cito também Francisco só quer jogar bola, de 2020, série de ficção com 13 episódios, de 26 minutos, voltada para o público infantil, produzida pela Docdoma Filmes. Foi um projeto dos mais desafiadores, porque a proposta era criar uma série protagonizada por crianças. A primeira missão foi desenvolver um seriado desse tamanho em três meses, um tempo muito curto. Os outros desafios foram ainda maiores, tendo sido o principal deles produzir um conteúdo com seis crianças em cena.

ELP – Quais características você elencaria como fundamentais para um bom roteirista?

SF – Creio ser muito importante a capacidade de escuta: saber se escutar, escutar a pessoa com quem você está trabalhando – seja ela quem for – e escutar o mundo, as questões que estão “no ar”. Além disso, eu acho fundamental que um bom roteirista domine a técnica do seu ofício. Saber escrever bem não é suficiente. Tem que entender de narrativa, conhecer fundamentos de dramaturgia, adquirir conhecimento sobre linguagem audiovisual, enfim, é preciso estudar muito e ampliar repertório.

ELP – Dentro dos seus anos de profissão, quais foram os principais desafios encontrados? Você teria alguma dica para quem está começando?

SF – Sempre são muitos os desafios, cada projeto apresenta um desafio distinto. Pra quem quer começar, eu sugiro que se coloque à disposição do mercado sem querer nada em troca, além de aprendizado e conhecimento. Busque uma produtora e se ofereça para trabalhar em algum projeto por um prazo determinado. É uma maneira de se inserir na área, conhecer as pessoas que já estão atuando no campo, saber como é feito o trabalho e formar uma rede de relações. Em paralelo, se dedique à criação do seu projeto. Nunca abra mão disso.

ELP – Como você enxerga a sua atuação neste momento no mercado audiovisual baiano?

SF – Eu me vejo como profissional atuante no setor, trabalhando, sobretudo, nas áreas de criação e direção de conteúdos audiovisuais de ficção. Sou sócia da Benditas Projetos Criativos, empresa que vem executando desde 2014 diversos projetos formativos e de produção audiovisual. Atualmente, estamos realizando o Programa narrAtiVas, em parceria com o Estação do Drama, e o Programa de Formação Continuada em Game Design, em parceria com o Comunidades Virtuais. Estamos finalizando duas novas séries: a ficção Pequeno Tratado de Pequenas Coisas e a documental Todos os Sonhos.

ELP – O que você tem a dizer sobre o mercado audiovisual baiano?

SF – Mercado ainda muito pequeno, mas bastante potente, com uma capacidade criativa e produtiva imensa. Vínhamos crescendo, muitas empresas novas foram formalizadas, sobretudo após a criação da Lei 12.485/11, a Lei da TV Paga*. A partir de 2019, começou um processo de desaceleração do crescimento, em todo país, impactado pela paralisação das políticas públicas que vinham sendo implementadas pelo Governo Federal, desde 2003. O momento atual é bastante grave e preocupante. A ANCINE virou uma grande incógnita; a principal fonte de recurso, que é o Fundo Setorial do Audiovisual, está com seu fluxo de financiamento interrompido, e o mercado global está em processo acelerado de mudança e reconfiguração. Pra gente conseguir acompanhar esse ritmo, só com política pública robusta e regular. O projeto do Governo Federal para o audiovisual brasileiro é claro e está em franco processo de execução: enfraquecer, estrangular, asfixiar e deixar morrer. Não conseguirão.

ELP – Como você falou um pouco agora, o mercado apresentava características promissoras. Pensando nisso, me conta como enxerga as mudanças do mercado nos últimos cinco anos.

SF – Há cinco anos, estávamos vivendo o boom causado pela criação da Lei 12.485/11, que sem dúvida causou um incremento da produção audiovisual brasileira. Isso significa na prática que estávamos vivendo num contexto em que havia efetivamente demanda por conteúdo produzido por empresas brasileiras independentes. Havia uma profissionalização e a capacitação cada vez maior dos artistas, técnicos e gestores que atuam na área. A meu ver, isso se deve a um conjunto de fatores: aumento da oferta de cursos e eventos formativos; a proliferação de laboratórios e eventos de mercado, visando estreitar as relações entre os diversos agentes da cadeia produtiva do setor; e o incremento da produção, possibilitando o exercício prático da atividade, de forma regular. Vejo também um interesse cada vez maior do segmento distribuidor por diversificação dos formatos, ampliando possibilidades de criação para além do cinema e dos formatos tradicionais da TV. Contudo, existe o fator que abordei em minha fala anterior. Existe um desmonte das políticas públicas voltadas ao setor. Esse desmonte começou em 2018 e permanece.

ELP – Sobre a Usina do Drama, como você entrou no projeto?

SF – Em 2017, eu integrei uma mesa sobre mercado baiano e o lugar do roteirista na criação de séries. Me lembro que foi no contexto do lançamento do primeiro edital da Usina, o auditório da FACOM estava cheio! Eu adorei participar! Já estava acompanhando de longe as ações do Estação do Drama. Em 2020, fui convidada a integrar a comissão de pareceristas da Usina, avaliando um conjunto de pré-projetos inscritos. Foi muito interessante a experiência e uma boa oportunidade de conhecer propostas em início de gestação. É riquíssima a diversidade de temas, as formas de olhar e de abordar uma mesma questão, as motivações dos autores. Tem muita gente querendo se expressar e que aposta no formato seriado para isso. No ano passado, também participei de alguns dos cursos oferecidos pelo projeto e foram encontros de muito aprendizado.

ELP – Qual importância você vê no projeto?

SF – Esse é um projeto altamente relevante de formação, focado no autor roteirista, mas que não fica restrito às questões, desafios e técnicas concernentes ao desenvolvimento do roteiro propriamente dito. A formação é mais ampla, porque também oferece ao participante um entendimento do mercado e sua cadeia produtiva, preparando o roteirista para ter uma visão da sua obra também como um ativo econômico, não somente como uma criação artística. Na Usina, o roteirista aprende, por exemplo, o quanto é necessário pensar em modelos de negócio e compreender como se dá a difusão de uma obra. Enfim, esses recursos são importantes para ajudar o autor a caminhar nesse mundo complexo e em permanente mutação, que é o segmento audiovisual. Estamos vendo resultados concretos, com projetos que passaram pela Usina se destacando em festivais e editais importantes. E alguns já saíram do papel e estão na tela, em exibição na TV, como a série documental Agbara Dudu – Narrativas Negras, de Silvana Moura.

ELP – Você acredita que fazer parte da Usina 20 afetou de alguma maneira o rumo de sua trajetória e/ou da forma como você pensa o audiovisual baiano e nacional?

SF – O projeto confirma para mim a importância da formação como base para se consolidar nessa área, que é altamente competitiva e que vem, cada vez mais, buscando pessoas qualificadas. A Usina cumpre um papel relevante dentro desse ecossistema. Ao participar como parecerista na edição de 2020, eu fiquei impressionada com a quantidade de histórias com vocação para ganhar as telas. Os pré-projetos que tive a oportunidade de ler demonstram que existem autores-roteiristas inventivos, com ideias incríveis a burilar, que estão ávidos para ingressar num mercado pelo qual são apaixonados. São pessoas que estão loucas pra aprender como fazer. O que a Usina do Drama diz é: venham!

 

*A Lei da TV Paga, em vigor desde setembro de 2011, consiste em colocar como obrigatória a exibição de, pelo menos, 3h30 de conteúdo brasileiro dentro da programação dos canais pagais do país, semanalmente.

ELP – Quando você está desenvolvendo seus projetos, como funciona o seu processo de criação? 

SF – Depende do projeto e do processo de criação da obra. Em geral, começa com uma imagem, mas o disparador pode ser uma notícia que li no jornal. Se estou escrevendo sozinha, o processo é extremamente introspectivo, fica tudo girando na cabeça; não escrevo nada enquanto não tiver uma rota mínima traçada. Por exemplo: às vezes eu tenho a personagem, mas a motivação não está clara. Outras vezes, eu tenho a motivação, mas a personagem não convence. Então, enquanto não tenho essas definições mínimas, eu não costumo sentar para escrever, mas fico o tempo inteiro pensando naquilo. Quando estou escrevendo com outras pessoas, o processo precisa ser compartilhado o tempo todo com quem está envolvido, senão não funciona. E aí nessa roda de criação, você tem que apresentar, por exemplo, ideias que ainda não estão maturadas o suficiente. Mas você necessita trazer à tona, porque a proposta é de construção coletiva. Enfim, são processos muito distintos.

ELP – Me conta sobre seus principais trabalhos dentro da área!

SF – Eu acho importante citar o curta de ficção Cega Seca, de 2003. Foi o primeiro filme em que tive recurso público para produzir. O curta rodou muitos festivais, numa época em que ainda era necessário enviar as películas fílmicas por avião! Foi um aprendizado imenso. Cito também Francisco só quer jogar bola, de 2020, série de ficção com 13 episódios, de 26 minutos, voltada para o público infantil, produzida pela Docdoma Filmes. Foi um projeto dos mais desafiadores, porque a proposta era criar uma série protagonizada por crianças. A primeira missão foi desenvolver um seriado desse tamanho em três meses, um tempo muito curto. Os outros desafios foram ainda maiores, tendo sido o principal deles produzir um conteúdo com seis crianças em cena.

ELP – Quais características você elencaria como fundamentais para um bom roteirista?

SF – Creio ser muito importante a capacidade de escuta: saber se escutar, escutar a pessoa com quem você está trabalhando – seja ela quem for – e escutar o mundo, as questões que estão “no ar”. Além disso, eu acho fundamental que um bom roteirista domine a técnica do seu ofício. Saber escrever bem não é suficiente. Tem que entender de narrativa, conhecer fundamentos de dramaturgia, adquirir conhecimento sobre linguagem audiovisual, enfim, é preciso estudar muito e ampliar repertório.

ELP – Dentro dos seus anos de profissão, quais foram os principais desafios encontrados? Você teria alguma dica para quem está começando?

SF – Sempre são muitos os desafios, cada projeto apresenta um desafio distinto. Pra quem quer começar, eu sugiro que se coloque à disposição do mercado sem querer nada em troca, além de aprendizado e conhecimento. Busque uma produtora e se ofereça para trabalhar em algum projeto por um prazo determinado. É uma maneira de se inserir na área, conhecer as pessoas que já estão atuando no campo, saber como é feito o trabalho e formar uma rede de relações. Em paralelo, se dedique à criação do seu projeto. Nunca abra mão disso.

ELP – Como você enxerga a sua atuação neste momento no mercado audiovisual baiano?

SF – Eu me vejo como profissional atuante no setor, trabalhando, sobretudo, nas áreas de criação e direção de conteúdos audiovisuais de ficção. Sou sócia da Benditas Projetos Criativos, empresa que vem executando desde 2014 diversos projetos formativos e de produção audiovisual. Atualmente, estamos realizando o Programa narrAtiVas, em parceria com o Estação do Drama, e o Programa de Formação Continuada em Game Design, em parceria com o Comunidades Virtuais. Estamos finalizando duas novas séries: a ficção Pequeno Tratado de Pequenas Coisas e a documental Todos os Sonhos.

ELP – O que você tem a dizer sobre o mercado audiovisual baiano?

SF – Mercado ainda muito pequeno, mas bastante potente, com uma capacidade criativa e produtiva imensa. Vínhamos crescendo, muitas empresas novas foram formalizadas, sobretudo após a criação da Lei 12.485/11, a Lei da TV Paga*. A partir de 2019, começou um processo de desaceleração do crescimento, em todo país, impactado pela paralisação das políticas públicas que vinham sendo implementadas pelo Governo Federal, desde 2003. O momento atual é bastante grave e preocupante. A ANCINE virou uma grande incógnita; a principal fonte de recurso, que é o Fundo Setorial do Audiovisual, está com seu fluxo de financiamento interrompido, e o mercado global está em processo acelerado de mudança e reconfiguração. Pra gente conseguir acompanhar esse ritmo, só com política pública robusta e regular. O projeto do Governo Federal para o audiovisual brasileiro é claro e está em franco processo de execução: enfraquecer, estrangular, asfixiar e deixar morrer. Não conseguirão.

ELP – Como você falou um pouco agora, o mercado apresentava características promissoras. Pensando nisso, me conta como enxerga as mudanças do mercado nos últimos cinco anos.

SF – Há cinco anos, estávamos vivendo o boom causado pela criação da Lei 12.485/11, que sem dúvida causou um incremento da produção audiovisual brasileira. Isso significa na prática que estávamos vivendo num contexto em que havia efetivamente demanda por conteúdo produzido por empresas brasileiras independentes. Havia uma profissionalização e a capacitação cada vez maior dos artistas, técnicos e gestores que atuam na área. A meu ver, isso se deve a um conjunto de fatores: aumento da oferta de cursos e eventos formativos; a proliferação de laboratórios e eventos de mercado, visando estreitar as relações entre os diversos agentes da cadeia produtiva do setor; e o incremento da produção, possibilitando o exercício prático da atividade, de forma regular. Vejo também um interesse cada vez maior do segmento distribuidor por diversificação dos formatos, ampliando possibilidades de criação para além do cinema e dos formatos tradicionais da TV. Contudo, existe o fator que abordei em minha fala anterior. Existe um desmonte das políticas públicas voltadas ao setor. Esse desmonte começou em 2018 e permanece.

ELP – Sobre a Usina do Drama, como você entrou no projeto?

SF – Em 2017, eu integrei uma mesa sobre mercado baiano e o lugar do roteirista na criação de séries. Me lembro que foi no contexto do lançamento do primeiro edital da Usina, o auditório da FACOM estava cheio! Eu adorei participar! Já estava acompanhando de longe as ações do Estação do Drama. Em 2020, fui convidada a integrar a comissão de pareceristas da Usina, avaliando um conjunto de pré-projetos inscritos. Foi muito interessante a experiência e uma boa oportunidade de conhecer propostas em início de gestação. É riquíssima a diversidade de temas, as formas de olhar e de abordar uma mesma questão, as motivações dos autores. Tem muita gente querendo se expressar e que aposta no formato seriado para isso. No ano passado, também participei de alguns dos cursos oferecidos pelo projeto e foram encontros de muito aprendizado.

ELP – Qual importância você vê no projeto?

SF – Esse é um projeto altamente relevante de formação, focado no autor roteirista, mas que não fica restrito às questões, desafios e técnicas concernentes ao desenvolvimento do roteiro propriamente dito. A formação é mais ampla, porque também oferece ao participante um entendimento do mercado e sua cadeia produtiva, preparando o roteirista para ter uma visão da sua obra também como um ativo econômico, não somente como uma criação artística. Na Usina, o roteirista aprende, por exemplo, o quanto é necessário pensar em modelos de negócio e compreender como se dá a difusão de uma obra. Enfim, esses recursos são importantes para ajudar o autor a caminhar nesse mundo complexo e em permanente mutação, que é o segmento audiovisual. Estamos vendo resultados concretos, com projetos que passaram pela Usina se destacando em festivais e editais importantes. E alguns já saíram do papel e estão na tela, em exibição na TV, como a série documental Agbara Dudu – Narrativas Negras, de Silvana Moura.

ELP – Você acredita que fazer parte da Usina 20 afetou de alguma maneira o rumo de sua trajetória e/ou da forma como você pensa o audiovisual baiano e nacional?

SF – O projeto confirma para mim a importância da formação como base para se consolidar nessa área, que é altamente competitiva e que vem, cada vez mais, buscando pessoas qualificadas. A Usina cumpre um papel relevante dentro desse ecossistema. Ao participar como parecerista na edição de 2020, eu fiquei impressionada com a quantidade de histórias com vocação para ganhar as telas. Os pré-projetos que tive a oportunidade de ler demonstram que existem autores-roteiristas inventivos, com ideias incríveis a burilar, que estão ávidos para ingressar num mercado pelo qual são apaixonados. São pessoas que estão loucas pra aprender como fazer. O que a Usina do Drama diz é: venham!

 

*A Lei da TV Paga, em vigor desde setembro de 2011, consiste em colocar como obrigatória a exibição de, pelo menos, 3h30 de conteúdo brasileiro dentro da programação dos canais pagais do país, semanalmente.

ENOE LOPES PONTES – Como aconteceu a sua entrada na área do audiovisual?

SOFIA FEDERICO – Desde a escola, ainda adolescente, eu sempre me interessei por essa linguagem e por essa forma de expressão. Cheguei a realizar atividades escolares em vídeo, em trabalhos de grupo. Isso foi no final da década de 1980, quando o VHS começou a se popularizar. Um colega da sala tinha a câmera e o player que também gravava. Olhando para o passado, acho que já era uma experimentação e uma “porta de entrada” para esse universo. Eu me divertia horrores!

Continuar lendo “Luz, câmera, paixão.”

Das locadoras aos festivais de cinema

Conheça um pouco da trajetória do roteirista e diretor Klaus Hastenreiter, integrante da turma da Usina 20

Por Enoe Lopes Pontes

Diretor, roteirista, montador, Klaus Hastenreiter elenca múltiplas funções dentro do audiovisual baiano. Desde 2012, fundou a produtora Olho de Vidro, ao lado de sua esposa, a também cineasta, Hilda Lopes Pontes. A dupla, inclusive, roda um novo curta-metragem, este mês, com a filha de 5 anos como protagonista. Os projetos da Olho são expressivos em quantidade — são rodados, aproximadamente três curtas por ano — e em resposta do público e da crítica.

A partir da fundação da empresa, Klaus conta que o seu trabalho foi acontecendo e sendo cada vez mais reconhecido. “Mandam mensagens para a gente, participamos de diversos festivais dentro e fora do país e ganhamos prêmios. Me sinto honrado com tudo isso”, comenta. Toda esta jornada começou com um Klaus adolescente, que trabalhava em uma locadora de vídeos, aos 14 anos. 

Apaixonado pelo universo cinematográfico, já foi crítico e acredita que ocupar esta função foi essencial para a apuração de seu olhar em relação aos filmes e séries que acompanhava com tanto afinco. Até chegar o momento no qual escreveu seu primeiro roteiro, foram muitos anos de estudo contínuo. Neste pensamento de fomentar as suas habilidades, Klaus decidiu se inscrever no processo seletivo da Usina do Drama 2020. 

Após a sua seleção, integrou o time orientado pela tutora Amanda Aouad no nosso processo de mentoria. Todas estas informações foram descobertas em uma entrevista cedida para a nossa equipe. Nela, o diretor nos contou um pouco mais sobre o início de sua carreira, os desafios e os processos que vivenciou, focando, principalmente, na sua trajetória como roteirista. Agora, você pode conferir o conteúdo completo deste ping-pong!

Foto: Marina Lordelo

“Hoje em dia eu me sinto muito mais animado no trabalho coletivo de escrita no que no labor individual, e as possibilidades de troca de experiências, ideias em uma sala de roteiro.”


ENTREVISTA

ENOE LOPES PONTES: Como e quando você começou a trabalhar com o audiovisual
KLAUS HASTENREITER: Comecei a trabalhar na área do audiovisual como funcionário de uma locadora, com 14 anos. No mesmo ano, passei a escrever crítica de cinema pra um blog e depois disso passei por diversos sites, me aventurando por vídeos e rádio. Gosto muito de pontuar como a crítica me incentivou a passar para o outro lado da câmera, e sem ela não teria decidido me tornar roteirista e diretor. Em 2011 dirigi o curta-metragem “Olho de Vidro”, como trabalho de uma matéria da faculdade. Me apaixonei pelo ofício e não parei mais!

ELP: Quando decidiu seguir a carreira de roteirista?
KH: A decisão de me tornar roteirista pra mim se tornou algo muito processual. Demorou um pouco pra eu conseguir me apresentar como roteirista, para acreditar em mim como alguém capaz de escrever roteiros profissionalmente. Do primeiro roteiro de curta que escrevi em 2011, até o primeiro roteiro de longa-metragem finalizado em 2018, foi um longo processo de idas e vindas. Sempre tive um medo, um respeito e um desejo enorme pela escrita de algo maior, que possa ser visto na tela do cinema, mas sempre empacava lá pelas páginas 35, 40, dos meus roteiros. Acho que quando escrevi minha primeira “página 50”, eu parei, olhei para o computador, e me senti um pouquinho mais capaz de enfrentar essa carreira.

ELP: Como funciona o seu processo criativo?
KH: No mundo ideal, eu faria como Stephen King: teria todas as manhãs tranquilas em um escritório fechado pra escrever. Mas não é minha realidade. Filmando muito job pra sobreviver, criando uma filha pequena, a parte da escrita, uma das minhas favoritas, se encaixa onde dá na minha rotina. Meu processo se inicia em um bloco de notas, onde cada semente de ideia se torna um arquivo em branco. A partir disso, a semente vai crescendo com pequenas epifanias diárias, inspiradas no que vejo ao meu redor, que vão sendo anotadas de forma avulsa nesse arquivo. Esse processo pode demorar de 6 meses a 3 anos em média. Então, um belo dia aleatório, me vem a vontade de organizar esses apontamentos feitos em um argumento — ou diretamente em um roteiro, quando a sede é grande ou surge a oportunidade de algum laboratório de escrita. Crio uma playlist de músicas que conversam com a atmosfera que quero propor, coloco um fone de ouvido, e escrevo até as mãos doerem.

ELP: Quais foram os seus principais projetos na área? 
KH: Apesar de “Olho de Vidro” ter sido o primeiro curta que dirigi, considero “Não Falo com Estranhos”  o roteiro que se tornou um pontapé pra minha carreira. Foi com esse filme que ganhei meus primeiros prêmios como roteirista e diretor. Foram 4 anos do primeiro ao último tratamento da escrita, sempre postergando sua realização, e acho que esse amadurecimento beneficiou bastante o projeto. Outro projeto que destaco é o longa-metragem “Borderô”, que escrevi a 4 mãos com Hilda Lopes Pontes, lá em 2018, e tem trazido muita alegria pra gente. Passamos pelo Pan Lab, laboratório de roteiro do Panorama Coisa de Cinema e sua versão reduzida, em curta-metragem, foi aprovado no edital setorial de 2019. Estamos esperando um momento mais seguro para filmar, quando a pandemia do coronavírus for estabilizada. 

ELPVocê teve algum projeto bastante desafiador? Como foi este processo? 
KH: O roteiro de longa-metragem “Meninos de Cinema” pode ser considerado meu momento mais desafiador enquanto roteirista. Não apenas pela escala, mas por ser um embrião que passou 7 anos sendo amadurecido em um bloco de notas, sempre sendo postergado até que pudesse ser posto no papel. Tudo que era escrito não parecia atender as expectativas, criei uma idealização quase religiosa em cima desse roteiro que nunca poderia ser honrada. A sensação que eu tinha era de que se esse roteiro ficasse ruim, eu nunca poderia continuar na carreira de roteirista. Apenas quando eu tive a oportunidade de compartilhar essa escrita, novamente com Hilda Lopes Pontes, que esse peso conseguiu ser dividido e pudemos seguir em frente. Hoje o roteiro está pronto em uma gavetinha, esperando a vez dele novamente para  ser reescrito, e, quem sabe, filmado.

ELPQuais as principais características que um bom roteirista precisa ter?
KH: Paciência pra esperar a hora certa de escrever, humildade para ouvir as críticas dos amigos, resistência pra aguentar os momentos de insegurança (e as dores nas mãos), e observação — essa é minha característica favorita — pois tudo que acontece a nossa volta pode vir a ser página de roteiro algum dia.

ELPQuais desafios você encontrou na área de roteirista e o que diria para quem deseja começar?
KH: Depois do desafio interno, de se entender e reconhecer que você agora é um roteirista, o mais difícil é se encaixar no contexto cultural de sua realidade. Existem duas opções: você criar seus projetos ou você se encaixar nos projetos dos outros. Ambas as opções são complexas, pois na primeira você tem que conseguir financiamento pra sustentar seus sonhos — e sua vida, e na segunda você pode se ver refém de uma estrutura hierárquica que te impede de satisfazer suas vontades. Decidi tentar as duas vias ao mesmo tempo e até então tenho tido boas oportunidades. Esse seria meu conselho pra quem deseja começar: cultive suas sementes, seus projetos próprios, mas se abra para as possibilidades de parcerias. Ah, use o Celtx [ferramenta para escrita de roteiro] também, é uma mão na roda!

ELPComo é a sua atuação no mercado baiano de audiovisual?
KH: Eu tenho dificuldade de buscar um olhar externo sobre como eu me insiro no meu contexto local. Eu corro o risco de me diminuir demais ao me comparar com pessoas as quais eu sou verdadeiro fã, ou ser visto como prepotente ao errar e me ver muito além do que verdadeiramente sou. Parando pra observar a produtora a qual faço parte, a Olho de Vidro Produções, e o trabalho que desenvolvo com meus colegas, fico mais confortável em ver que estamos trilhando um bom caminho, onde ainda não chegamos no lugar que desejamos, mas já temos alguma estrada para nos orgulhar.

ELP: Como você enxerga este mercado?
KH: É um mercado extremamente dependente de financiamento público, o que gera uma insegurança enorme para produtoras e profissionais com as constantes mudanças de governos (e desgovernos). É um mercado com potencial consumidor ENORME, mas que ainda tem dificuldade de se organizar enquanto indústria para capitalizar e se renovar. Como roteirista especificamente, vejo mais oportunidades na televisão, em séries e novelas que trabalham com salas de roteiro. O boom dos streamings tem dado uma boa oportunidade para escritores iniciantes, mas acho importante destacar a falta de liberdade artística ainda vista nesse meio.

ELP: Nos últimos cinco anos, o que você enxerga de mudanças no mercado? Sejam as positivas e as negativas. 
KH: Os streamings mudaram a forma como se consome audiovisual no mundo. É uma mudança tão ou mais importante — ainda não tivemos tempo pra analisar isso com calma — do que a vista nos anos 70 com os primeiros blockbusters. A sede pelo instantâneo, pelo filme que está ao acesso de um clique, as milhares de possibilidades que te fazem passar, 30, 40, 50 minutos buscando a melhor opção no aplicativo, são um sintoma de grandes mudanças positivas e negativas. Pelo lado positivo, vemos o aumento de consumidores de audiovisual, por consequência da demanda e logo a quantidade de vagas de trabalho. 

ELP: Como você entrou no projeto Usina do Drama? 
KH: Eu entrei na Usina do Drama com o projeto “Vida de Artista”, uma série de comédia estilo documentário falso que segue um grupo de artistas baianos em suas tentativas de fazer sucesso no mercado local. Há algum tempo observava de longe as iniciativas da Estação do Drama, e a Usina sempre foi um projeto que me chamou muito a atenção por ser único em nossa cidade. 

ELP: Qual foi a importância da Usina para você? 
KH: A maior importância do projeto é a troca de experiências. É você aprender a confiar seus sonhos nas mãos de outras pessoas e em contrapartida aprender a ter cuidado e respeito com o material deles. 

ELP: Fazer parte deste projeto afetou de alguma forma o rumo de sua carreira e/ou de sua forma de pensar o audiovisual baiano e nacional? Como?
KH: Ainda não tive tempo hábil de entender por completo o impacto desse projeto na minha carreira, mas já consigo ver como o método de organização de desenvolvimento dos projetos já está influenciando na forma como desenvolvo outros projetos dentro da Olho de Vidro. Hoje em dia eu me sinto muito mais animado no trabalho coletivo de escrita no que no labor individual, e as possibilidades de troca de experiências, ideias em uma sala de roteiro.

Rumo à Fase II!

Temos um prazer imenso de anunciar que chegamos à Fase II do Usina do Drama 2020! U-E-BA!! E, para marcar esse momento, fechamos a fase anterior em que os alunos do curso de formação apresentaram seus projetos de série e foram avaliados por profissionais e pesquisadores do segmento de roteiro e dramaturgia. Nossos 26 alunos seguem agora para aprimorar os seus projetos, com os seus respectivos tutores, para a elaboração do roteiro, incluindo o piloto de série.

Felizes estamos, também, por termos chegado até aqui nessa proposta online, com Cursos, Labséries e Tutorias (Núcleos de Criação) acontecendo via Google Meets. Desafio grande, mas cumprido com sucesso.

Mais notícias, novidades, surpresas, será anunciado por aqui e nas nossas redes sociais, no Instagram e Facebook.

Vamos iniciar o Curso III e seguimos com nossa formação 100% online.

Iniciamos o projeto de formação do Usina do Drama 2020 em formato online no dia 01/08/2020. Não estava nos nossos planos, uma vez que toda a estrutura foi pensada para acontecer de modo presencial. Mas, depois de mais de dois meses de início das atividades, e caminhando para o terceiro curso, estamos felizes com o modo que encontramos para que o projeto acontecesse sem grandes perdas em sua estrutura pedagógica.

Se você fez um dos nossos Cursos ou LabSéries, manda uma mensagem para a gente dizendo o que tem achado das aulas, do formato, dos conteúdos etc. Queremos te ouvir!

Aproveitando, nossas próximas atividades está à todos vapor!

Próximo Curso:
“Modelos de Serialidade”, com João Senna
Período: 26/09, 03, 10 e 17/10
Sempre aos sábados, das 14 às 18h

Próximas LabSéries:
Dia 24/09, quinta-feira, das 18h às 22h.
Breaking Bad: Construção de Mundos Ficcionais”, com João Araújo

Dia 07/10, quarta-feira, das 18h às 22h.
“Métodos de análise de narrativa transmídia (True Blood/HBO e Netflix Brasil)”, com Rodrigo Lessa.

Dia 14/10, quarta-feira, das 18h às 22h.
“Cultura e Produção de fãs de narrativas seriadas (True Blood/HBO e telenovelas brasileiras)”

Estamos de Volta! Usina do Drama 2020 retoma as atividades em modalidade online

O Usina do Drama 2020 – Projeto de Formação de Roteiristas para Desenvolvimento de Séries para Televisão, que estava com as atividades programadas para iniciar presencialmente em abril deste ano, anuncia a retomada de suas atividades, a partir de agosto de 2020, em modalidade online. Em virtude das orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Ministério da Saúde sobre a pandemia do coronavírus (Covid-19), a Coordenação Geral do Usina do Drama 2020 elaborou um novo cronograma para a realização das atividades dos Cursos, Núcleos de Criação e LabSéries, respeitando as medidas de isolamento, adaptando a metodologia pedagógica dos nossos conteúdos e didáticas para a formação dos roteiristas selecionados.

O QUE MUDOU?
Além das novas datas para a realização das atividades que aconteceriam presencialmente, alteramos o modelo de relacionamento com os alunos, que acontecerá através de uma plataforma de aulas online, assegurando a qualidade dos nossos conteúdos. Fique atento às novas datas abaixo e confira o nosso cronograma completo ao final.

LabSéries
[quinzenais, às quintas-feiras, exceto dias 07 e 14/10, das 18h00 às 21h00]
13/08/2020 (início) – 03/12/2020 (última)

Cursos
[semanais, aos sábados, das 14h00 às 18h00]
01/08/2020 (início) – 12/12/2020 (última)

Núcleos de Criação
[semanais, aos sábados, das 09h00 às 13h00]
FASE 1: 08/08/2020 (início) – 12/12/2020 (última)
FASE 2: 16/01/2021 (início) – 27/02/2021 (última)

Pitching Pedagógico
17/04/2020 (preparação) – 24/04/2020 (realização)

INSCRIÇÕES ABERTAS!
Dia 01/08, sábado, reiniciamos as atividades com o curso ministrado por Ludmila Carvalho, “Narrativa, construção de personagens e gêneros dramáticos”. Serão 4 encontros (01, 08, 15 e 22/08), das 14 às 18h. As inscrições são gratuitas e já estão abertas, com vagas limitadas a 50 vagas para qualquer pessoa, de qualquer formação, mesmo que não tenha inscrito pré-projetos no edital 2020.

Usina 2020: alteração de lista de SUPLENTES

Após a revisão dos projetos selecionados e rigorosa avaliação para a próxima etapa, verificamos que houve uma duplicidade de inscrição, com projetos em diferentes categorias e, por isso, houve um ajuste dos projetos suplentes. Confira abaixo a lista de suplentes alterada.

Sobre as atividades do Usina 2020
Devido à pandemia do Coronavírus (Covid-19) e seguindo as determinações dos decretos Estaduais (19.529/2020) e Municipais (32.248/2020), a Universidade Federal da Bahia, local em que acontecerá o Curso de Formação do Usina 2020, continua com as atividades presenciais em suspensão. Nosso cronograma está sendo alterado e estamos buscando soluções para pensar em modelos de voltar às atividades.

PRÉ-PROJETOS SELECIONADOS
(por ordem de classificação)

LIVE ACTION
1. Rio das Mortes 
2. Ua Bem Bum! 
3. Romã 
4. Fúcsia 
5. Açúcar, Papai 
6. Arquivo (quase) Morto 
7. Seabra 
8. O Herdeiro do Trono 
9. Abrindo o Próprio Negócio 
10. Xanatopia 
11. Meteoro 
12. Objeto Oculto 
13. A vida por um fio 
14. Malu.com 
15. Vida de Ator
16. Pontos de Rosário 
17. Coverland – A arte da imitação 
18. Os Donos do Pedaço 
19. Amapô 
20. A Mão 
21. O Filho do Pastor 

ANIMAÇÃO
1. Esquadrão Rapinas 
2. A Vida É Essa Mesma! 
3. Matias 
4. Água 
5. Guardiões dos Cosmos 
6. O Fantástico Mundo de Nyx 
7. Nyx 

PRÉ-PROJETOS SUPLENTES
(projetos que podem ser chamados em caso de desistência de um dos projetos classificados)

LIVE ACTION
22. A Vida Não Se Resume A Festivais
23. Timbaí: tocando a vida
24. Ada Noir
25. Sósias
26. Caboclo Boiadeiro
27. Dragão Dourado
28. Clean – Faxina de crimes violentos
29. sta:rt ʌp
30. Subaca
31. A queda
32. Animadores do Caos
33. De Médico e Louco Todo Mundo Tem Um Pouco
34. Blatta
35. A Mulher de Dentro
36. Terra Batávica
37. Mátria
38. A Passagem
39. Dr. Suicídio
40. Nordeste Alternativo
41. Negras Verdades
42. Refém de Mim

ANIMAÇÃO
8. O Robô das Águas
9. Os Indicados
10. Mary Potato
11. A Cidade Azul
12. Insulae: A Ilha Individualista
13. As aventuras de Carizinho
14. Fia em Altas Aventuras
15. Noites Brancas

LISTA COMPLETA DE APROVADOS
(projetos que ficaram acima da nota de corte)

LIVE ACTION
43. Série C
44. Antes de Partir pro Baile
45. Laços
46. A detetive do anel de rubi
47. Praça do reggae
48. Uáts Iór Neime
49. O Reino de Prata
50. Amores Parciais
51. Terra Rica
52. Jogos Políticos
53. Tempo de Piracema
54. Teorias de Amor Moderno
55. Prima-Donna
56. Velcrônicas mulheres sapien
57. É isso mesmo, Produção?
58. Baía de Sabres
59. A Feiticeira
60. Minha vida é uma Novela
61. Ai de Mim que Sou Romântica!
62. Realidade Zero
63. Celice – Melodias da Cidade da Bahia
64. O Princípio da Incerteza
65. Histórias da cultura doméstica
66. Amor
67. Réquiem
68. Gente Invisível
69. Devir D.a.v.i.s
70. A pré feitura
71. Ferida no Caule
72. Almas Indolores
73. Dona Zira
74. A Menina e o Mar
75. Olhos de Sal
76. O Diário de Davi
77. O purgatório do Universo
78. Trois
79. Presa
80. O farol
81. Helena
82. Ela Estava Sempre Aqui
83. Azul e rosa_ a sexualidade…
84. Memórias de Mariana
85. A Assustadoramente Incrível História de Julie Costa
86. O meu lugar ao sol
87. Letra, Música e História
88. Mickey Junkies
89. Sem Rastro de Você
90. Tecer a Idade
91. A Terceira Lâmina
92. Supermina
93. O Segredo de Clarissa
94. Sujeito Inexistente
95. Aquele jeito lobo tolo de ser
96. Kimura
97. Eita, Cacilda!
98. Garanhuns
99. Biscoitos – O Paradoxo Entre o Politicamente Correto, a Vaidade e o Desejo
100. Esquadrão Escola
101. Nota Afetiva
102. Sonâmbula
103. Apenas mais um Dia
104. Uma dona de Casa, Ex-Agente da Inteligência

ANIMAÇÃO
16. Baderna do Dragão
17. Fases da Lua
18. Jaba

Usina 2020: pré-projetos selecionados para o Curso de Formação

Depois de receber 193 pré-projetos no edital do Usina do Drama 2020 – Projeto de Formação de Roteiristas para Desenvolvimento de Séries para Televisão, já temos a lista de selecionados dos 28 pré-projetos de séries televisivas inéditas (originais ou adaptadas), sendo 7 de animação e 21 de ficção em live action.

As avaliações contaram com a participação de parecerias especialistas em audiovisual, que foram convidados especialmente para dar notas, seguindo os critérios estabelecidos pelo edital.

Próximos Passos
Devido à pandemia do Coronavírus (Covid-19) e seguindo as determinações dos decretos Estaduais (19.529/2020) e Municipais (32.248/2020), a Universidade Federal da Bahia, local em que acontecerá o Curso de Formação do Usina 2020, continua com as atividades presenciais em suspensão. Por conta disso, o nosso cronograma sofrerá alterações e as novas datas só serão divulgadas quando toda a situação for normalizada. Até que isso aconteça, os autores dos pré-projetos selecionados serão contatados, através dos e-mails informados no formulário de inscrição, por nossa equipe com objetivo de levantar informações sobre documentações e outras disposições do processo de matrícula. 

Selecionados, suplentes e aprovados
Na lista abaixo, você pode conferir os pré-projetos selecionados, por ordem de classificação, assim como os suplentes que podem, por algum motivo, ocupar uma das vagas em caso de desistência. A listagem completa dos pré-projetos aprovados você pode conferir logo em seguida.

PRÉ-PROJETOS SELECIONADOS
(por ordem de classificação)

LIVE ACTION
1. Rio das Mortes 
2. Ua Bem Bum! 
3. Romã 
4. Fúcsia 
5. Açúcar, Papai 
6. Arquivo (quase) Morto 
7. Seabra 
8. O Herdeiro do Trono 
9. Abrindo o Próprio Negócio 
10. Xanatopia 
11. Meteoro 
12. Objeto Oculto 
13. A vida por um fio 
14. Malu.com 
15. Vida de Ator
16. Pontos de Rosário 
17. Coverland – A arte da imitação 
18. Os Donos do Pedaço 
19. Amapô 
20. A Mão 
21. O Filho do Pastor 

ANIMAÇÃO
1. Esquadrão Rapinas 
2. A Vida É Essa Mesma! 
3. Matias 
4. Água 
5. Guardiões dos Cosmos 
6. O Fantástico Mundo de Nyx 
7. Nyx 

PRÉ-PROJETOS SUPLENTES
(projetos que podem ser chamados em caso de desistência de um dos projetos classificados)

LIVE ACTION
22. A Vida Não Se Resume A Festivais
23. Timbaí: tocando a vida
24. Ada Noir
25. Sósias
26. Caboclo Boiadeiro
27. Dragão Dourado
28. Clean – Faxina de crimes violentos
29. sta:rt ʌp
30. Subaca
31. A queda
32. Animadores do Caos
33. De Médico e Louco Todo Mundo Tem Um Pouco
34. Blatta
35. A Mulher de Dentro
36. Terra Batávica
37. Mátria
38. A Passagem
39. Dr. Suicídio
40. Nordeste Alternativo
41. Negras Verdades
42. Refém de Mim

ANIMAÇÃO
8. O Robô das Águas
9. Rai & Lou
10. Os Indicados
11. Mary Potato
12. A Cidade Azul
13. Insulae: A Ilha Individualista
14. As aventuras de Carizinho
15. Fia em Altas Aventuras

LISTA COMPLETA DE APROVADOS
(projetos que ficaram acima da nota de corte)

LIVE ACTION
43. Série C
44. Antes de Partir pro Baile
45. Laços
46. A detetive do anel de rubi
47. Praça do reggae
48. Uáts Iór Neime
49. O Reino de Prata
50. Amores Parciais
51. Terra Rica
52. Jogos Políticos
53. Tempo de Piracema
54. Teorias de Amor Moderno
55. Prima-Donna
56. Velcrônicas mulheres sapien
57. É isso mesmo, Produção?
58. Baía de Sabres
59. A Feiticeira
60. Minha vida é uma Novela
61. Ai de Mim que Sou Romântica!
62. Realidade Zero
63. Celice – Melodias da Cidade da Bahia
64. O Princípio da Incerteza
65. Histórias da cultura doméstica
66. Amor
67. Réquiem
68. Gente Invisível
69. Devir D.a.v.i.s
70. A pré feitura
71. Ferida no Caule
72. Almas Indolores
73. Dona Zira
74. A Menina e o Mar
75. Olhos de Sal
76. O Diário de Davi
77. O purgatório do Universo
78. Trois
79. Presa
80. O farol
81. Helena
82. Ela Estava Sempre Aqui
83. Azul e rosa_ a sexualidade…
84. Memórias de Mariana
85. A Assustadoramente Incrível História de Julie Costa
86. O meu lugar ao sol
87. Letra, Música e História
88. Mickey Junkies
89. Sem Rastro de Você
90. Tecer a Idade
91. A Terceira Lâmina
92. Supermina
93. O Segredo de Clarissa
94. Sujeito Inexistente
95. Aquele jeito lobo tolo de ser
96. Kimura
97. Eita, Cacilda!
98. Garanhuns
99. Biscoitos – O Paradoxo Entre o Politicamente Correto, a Vaidade e o Desejo
100. Esquadrão Escola
101. Nota Afetiva
102. Sonâmbula
103. Apenas mais um Dia
104. Uma dona de Casa, Ex-Agente da Inteligência

ANIMAÇÃO
16. Noites Brancas
17. Baderna do Dragão
18. Fases da Lua
19. Jaba

NOTA: Adiamento das atividades do Usina do Drama 2020

Em virtude das orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Ministério da Saúde sobre a pandemia do coronavírus (Covid-19), a Coordenação Geral do Usina do Drama 2020 resolveu tomar medidas que objetivam proteção de todos os participantes e profissionais envolvidos nas nossas atividades. Dessa maneira, viemos informar o adiamento de algumas datas e ações que compõem o nosso edital.

SOBRE A SELEÇÃO DOS PRÉ-PROJETOS PARA O CURSO DE FORMAÇÃO:
Estamos dando andamento à etapa de avaliação dos projetos e seleção deles, mantendo a data de divulgação dos resultados para o dia 25/03, como consta em edital. Entretanto, teremos um remanejamento da data de matrícula que será divulgada, assim como um novo cronograma, quando a situação geral estiver regularizada.

Assim:
– Divulgação dos resultados: 25/03
– Realização da matrícula: a divulgar

SOBRE OS CURSOS E LABSÉRIES:
Em virtude de todo esse cenário, as Labséries dos dias 19/03 e 16/04, que já estavam com as inscrições abertas, estão CANCELADAS até que uma nova data seja divulgada, com um novo cronograma das atividades da edição do Usina do Drama 2020. Aqueles que tenham realizado a sua inscrição para qualquer uma das LabSéries continuam com as suas vagas asseguradas para as novas datas, assim como aqueles que se dispuseram a ficar em lista de espera.

Assim as LabSéries dos dias:
19/03: “Breaking Bad: Construção de Personagem, Alinhamento e Focalização” [CANCELADA]
16/04: “Mad Men: Construção de Mundo Ficcional Através da Personagem” [CANCELADA]


Pedimos a compreensão de todos. Continuamos acompanhado todos os desdobramentos, resoluções e determinação do Poder Público sobre a realização de eventos. Adotaremos todas as medidas necessárias para que o interesse público seja respeitado. 

Em caso de dúvidas, estaremos aqui para te esclarecer através do nosso formulário de contato.